Marias que riem
terça-feira, 10 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
Blog besta
Este não é um blog feminino,
tampouco é um blog feminista. Não vai falar sobre cabelo e maquiagem, nem vai
lutar pelos direitos das mulheres. Os sutiãs serão poupados. Este blog não é
para as mulheres. Mas trata de algumas consequências do movimento feminista
sobre o universo feminino. Marie Curie foi mulher e pesquisadora numa época de
preconceitos, foi a primeira pessoa a ganhar dois Prêmios Nobel em áreas
distintas, um em Física, outro em Química, trabalhando num laboratório com
poucos recursos. Além disso, Marie Curie foi esposa e mãe de uma filha. O nome
do blog é uma alusão à sua pessoa, caso você não tenha percebido. A autora que
vos escreve é fruto da terceira geração de mulheres que criaram suas filhas sem
pai, um clássico exemplo freudiano de aprendizado e repetição de
comportamentos. Filhas estas que não se casam, e quando o fazem, chocam a
família. A terceira geração não conviveu com os próprios pais, a segunda
geração sequer conheceu os próprios pais. Algumas pessoas nos consideram
guerreiras, outras, pobres-coitadas. Fato é que estamos aqui, e estamos muito
bem, obrigada, às vezes obrigadas, muitas vezes. Este blog pode conter cenas
verídicas, tome cuidado. E pode falar sobre amor. E também sobre suas
ausências. Pode se tornar um blog muito besta, no final das contas.
Vivendo sem coração
Você por acaso viu meu coração? Eu
deixei ele em algum lugar, mas não lembro qual. Sei que ele estava aqui agora
há pouco. Até bem pouco tempo, ele batia descompassado. Eu sentia suas batidas
aqui dentro. Ele corria desembestado dentro de mim. Corria como um trem. Corria
como um cavalo galopando solto. Ele estava solto dentro de mim, estava
galopando desembestado. Dava pra ver pelo movimento do meu peito. Ele estava
bem aqui. Não sei por que ele fugiu. Ele foi embora sem se despedir. Ele estava
aqui há bem pouco tempo. Eu perdi meu coração. O cavalo estava solto galopando
e quem galopa consegue fugir. Não sei se ele fugiu ou se está perdido. Talvez
ele esteja perdido. Coitado! E se ele estiver perdido? Você viu meu coração?
Ele está perdido. Senhora, você o viu? Você deve tê-lo visto passar. Tem tão pouco
tempo. Ele estava bem aqui. Há bem pouco tempo, ele estava aqui, me dando
solavancos epiléticos no peito. Eu parecia uma louca com esse coração, a
senhora deveria ter visto. Ele me levava para todos os lugares. Ele guiava meus
caminhos. Me apontava qual direção era a certa. Eu era uma doida seguindo meu
próprio coração. Onde já se viu? Ele era um coração muito forte. Nada podia
vencê-lo. Ela era o Rei do Mundo. Ele se achava o Rei do Mundo e por isso ele
era. É mesmo, ele não está mais em mim. Veja, não bate mais nada. Meu coração
sumiu. Deve ter sido macumba. Como que pode um coração sumir de dentro da
pessoa assim sem mais nem menos? Com certeza é feitiçaria. Jogaram macumba em
mim e meu coração desapareceu. As pessoas não gostam de corações fortes. Elas
rogam praga neles. Entendi, é isso. Como que macumba não pega? Claro que pega.
Olhe, não bate nada. Nadinha de nada. Nem de dor, nem de amor. Se bem que esses
são irmãos. Não conta. Mesmo assim não bate. Concordo com a senhora, é muito
estranho mesmo. Mas será que nenhuma magia pega na pessoa? Talvez justo essa de
fazer sumir coração pegue. Não? A senhora acha que não? A senhora não sabe de
nada. Não me importo com sua idade. Muito menos com o que tenha vivido. Agora
me dê licença. Ei senhor, o senhor por acaso viu um coração passando por aí?
Era um coração bem forte, não tem como se enganar. Ele fugiu de mim, senhor. Eu
fazia tudo o que esse coração danado queria e ele fugiu de mim. Eles não dão
valor para a gente mesmo. Ele não quis mais ser meu. Ele tinha que sair de
dentro de mim. Por isso, ele batia como um trem. O meu eu estava muito pequeno
para ele, senhor. Por isso, ele se foi. Fugiu, coração maldito! Ele não tinha
motivos para fugir, não pode ser isso. Meu coração fugiu, sumiu ou está
perdido. Ele pode ter morrido também. Ele pode ter morrido. Então, meu coração
morreu. Por isso, ele não bate mais. Meu coração morreu, mas eu não morri. Como
que pode? Alguém ficar por aí, perambulando semi-viva, semi-morta, com coração
morto dentro dela. O coração dela apodrecendo dentro da pessoa e ela continua
caminhando por aí, como se nada tivesse acontecido, com a cara mais normal de
todas. Não, não é possível. Os corações não morrem, não é mesmo? Se o coração
da pessoa morre, ela morre junto com ele. Eu estou bem viva, disso eu sei.
Então, ele não morreu. Ele está vivo, em algum lugar do mundo. Aquele Rei do
Mundo, deve estar reinando por aí, em algum lugar. Galopando com o vento na
crina batendo. Corações não têm crina, é uma metáfora. Cadê aquele velho? Senhor!
Senhor, volte aqui. Velho estúpido. Não sabe de nada. Menino, você viu meu
coração? Não, não grite sua mãe, não vou te machucar. Calma, menino, só quero
lhe fazer uma pergunta. Você viu um coração saltitando por aí? Não? Tente se
lembrar. As crianças vêem tudo pela primeira vez. Crianças vêem coisas que não
existem. E se elas não existem, como que as crianças as vêem. Se as crianças
vêem, é porque existe. Como não viu meu coração passar? Nem você viu? O que aconteceu com ele, então?
Não consigo entender. Não existem motivos. Não tem nem como. Mas ele não bate,
ele não dá sinal de vida. Não tenho pulso. Não tenho ritmo. Não tenho mais o
que me mova. Não tenho mais o que seguir. Como faço pra viver sem coração?
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Amor e suas ausências
Ausência de amor. Amor e suas
ausências. É pior um amor ausente do que a ausência do amor? Se há ausência,
então não há o que de fato. Fato que se refaz em mil pedaços. Fatos fáceis,
fúteis, inúteis. Porque se é amor, há de sê-lo com veemência. Há de sê-lo com
urgência. Demência. Se é, pois que o seja! Oras! Ora bolas! Ora que melhora!
Melhora? Por hora. Ai, essa doença mental que me persegue, que me esgana, que
me esvai e me dilui neste corpo que me aprisiona. E soma. E cresce. E se ajunta.
Dois corpos que se unem em um só. Em um só momento. Em um momento são dois, em
outro, são apenas um. Estou falando, caso você não tenha percebido. Hoje é dia
dos namorados. É o dia dos enamorados, dos apaixonados, dos que ardem de amor e
dos que amam por conveniência. Dos cegos. Dois cegos. Dois cegos aos tropeços,
rindo bêbados da inveja dos que não são boêmios. Ah, o amor e a boemia! Como
são lindos e apaixonados! Apaixonante a alegria dos bêbados de amor. Amar é
sentir o cheiro das luzes da noite da cidade. A noite e suas luzes e seus
aromas. Belo Horizonte tem cheiro de café à noite, ali naquela esquina. É
melhor qualquer amor do que toda ausência.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Para ser feliz
Felicidade é estar fora de si. É
olhar pra fora de si, sair do próprio foco. É agarrar um objetivo e cravar-se
nele, fincar as unhas nele. Que seja um objetivo justo, que ele faça a
diferença para alguém. Felicidade é trabalhar naquilo que se gosta, é gostar do
emprego que se tem, é amar sua família, é dedicar tempo para seus amigos, é
parar e prestar atenção na própria respiração, é se permitir ouvir o próprio
coração. Felicidade é estar em movimento e também é descansar. Somos o que
fazemos. Façamos o bem e seremos bons, façamos a paz e teremos paz. Enxergamos
no outro apenas aquilo que possuímos. Seja justo, não espere de alguém algo que
você não faria. Não espere que alguém aja como você. Não espere nada de
ninguém. Vá viver, olhe para fora e saia de si, olhe para o lado e veja seu irmão,
olhe para cima e admire sua pequenês. Olhe para algum lugar. Apenas não feche
seus olhos, ainda não.
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