Amor e suas ausências
Ausência de amor. Amor e suas
ausências. É pior um amor ausente do que a ausência do amor? Se há ausência,
então não há o que de fato. Fato que se refaz em mil pedaços. Fatos fáceis,
fúteis, inúteis. Porque se é amor, há de sê-lo com veemência. Há de sê-lo com
urgência. Demência. Se é, pois que o seja! Oras! Ora bolas! Ora que melhora!
Melhora? Por hora. Ai, essa doença mental que me persegue, que me esgana, que
me esvai e me dilui neste corpo que me aprisiona. E soma. E cresce. E se ajunta.
Dois corpos que se unem em um só. Em um só momento. Em um momento são dois, em
outro, são apenas um. Estou falando, caso você não tenha percebido. Hoje é dia
dos namorados. É o dia dos enamorados, dos apaixonados, dos que ardem de amor e
dos que amam por conveniência. Dos cegos. Dois cegos. Dois cegos aos tropeços,
rindo bêbados da inveja dos que não são boêmios. Ah, o amor e a boemia! Como
são lindos e apaixonados! Apaixonante a alegria dos bêbados de amor. Amar é
sentir o cheiro das luzes da noite da cidade. A noite e suas luzes e seus
aromas. Belo Horizonte tem cheiro de café à noite, ali naquela esquina. É
melhor qualquer amor do que toda ausência.